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Igreja de Cristo Internacional - Movimento de Boston |
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Aldo Menezes (cont.)4.4. Apostasia na Igreja Não se pode negar que houve, de fato, apostasia no seio da Igreja; negamos, contudo, que essa apostasia tenha sido geral, pois todos os textos apresentados como prova escriturística sobre a apostasia no meio da Igreja, apontam para uma apostasia parcial, nunca geral. Veja: · 2ª Tessalonicenses 2:3-17 O autor menciona dois grupos, a saber, os que "perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos" e "deleitaram-se com a injustiça" etc; esses serão os enganados por Satanás com todo o engano de injustiça. O outro grupo é formado pelos "irmãos, amados no Senhor", que foram escolhidos por Deus "desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade"; deveriam permanecer firmes e guardar o depósito da fé que receberam dos apóstolos. Assim, evidencia-se que aqueles que são de Cristo, por ele permanecem firmes, perpetuando sua mensagem, exaltando seu nome por todas as gerações. Os que não amaram a verdade, esses sim, foram seduzidos por Satanás. · 1ª Timóteo 4:1 Este texto diz que "alguns" (e não todos) apostarão da fé. · 2ª Pedro 2:1 Apesar de dizer que haverá falsos profetas no meio da Igreja, o texto não está apontando para uma apostasia geral, pois o versículo 2 diz que "muitos (e não todos) seguirão as suas práticas libertinas"; além disso, diz que o caminho da verdade seria "infamado", mas não diz nada de ser destruído ou interrompido por séculos. Judas 17-24 Assim como em 2ª Tessalonicenses 2:3-17, o autor menciona dois grupos: "os que não têm o Espírito", briguentos escarnecedores; e os "amados", aqueles que foram "edificados na santíssima fé, orando no Espírito Santo". Sobre estes, Judas glorifica a Deus, que é poderoso para guardá-los de "tropeços" e para apresentá-los "imaculados diante de sua glória". Mais uma vez vemos o testemunho da Bíblia de que Deus preserva na santíssima fé aqueles que são seus, para que possam propagar sua vontade num mundo antideus. 4.5. A Igreja Primitiva tinha seus problemas: Normalmente, os grupos que dizem ser a restauração da Igreja primitiva apontam as falhas das igrejas modernas, dizendo que estas se afastaram do cristianismo, pois andam confusas, sem amor ao próximo, sem vontade de evangelizar etc. Dizem que na sua organização as características da Igreja verdadeira estão presentes, de acordo com Atos 2:42-47, que são... a) Perseverança na doutrina dos apóstolos b) Comunhão, amizades genuínas, sem acepção de pessoas c) Partilhar ajuda aos necessitados d) Alegria constante e) Crescimento numérico espantoso, etc. Uma viagem pela Bíblia, porém, nos levará a encarar uma dura realidade: a Igreja é composta por pessoas imperfeitas, que revelam suas imperfeições no seu trato com Deus e com o próximo. Nenhuma Igreja de Cristo, no tempo e no espaço, foi exemplo fiel em todas as áreas da vida cristã. Atos, capítulo 2, fala do início da história da Igreja, e não da concretização dessa história. Tudo começou ali, mas a história continua até hoje. Mesmo na Igreja primitiva era visível que nem tudo o que está em Atos 2 era de fato praticado por todas as igrejas. Os problemas surgiram quando a Igreja começou a crescer (Atos 6:1ss). Veja: 1. Apostasia alguns se afastaram da "doutrina dos apóstolos", ensinando que... o Não havia ressurreição dos mortos (1ª Coríntios 15:12); o A segunda vinda de Jesus já ocorrera (2ª Tessalonicenses 2:2, 3); o A cruz não substituiu a guarda obrigatória da lei (Gálatas 1:6-9; 3:1-3). 2. Inimizades por vezes os membros das igrejas eram advertidos quanto às contendas e facções que havia entre eles; infelizmente a comunhão estava comprometida, havia acepção de pessoas e amizades corrompedoras. Leia: 1ª Coríntios 1:10-12; 3:1-4; Tiago 4:11, 12 e 3ª João 9, 10. 3. Acepção de pessoas e falta de ajuda as necessitados era incrível a falta de solidariedade da parte de muitos cristãos, que chegou a irritar profundamente a Tiago, além de que os ricos eram preferidos aos pobres (Tiago 2:1-9, 14-17). 4. Tristeza a Igreja de Cristo Internacional tentam vender uma imagem de eterna alegria, como se não houvesse lugar para a tristeza na vida dos membros da Igreja, ao contrário do que diz 2ª Coríntios 2:1-8; até Jesus se entristeceu (Marcos 14:34). 5. Crescimento o crescimento numérico não é sinal de que a igreja é verdadeira, pois, segundo Jesus, o joio cresceria junto com o trigo, na mesma proporção ou mais (Mateus 13:24-30). Em 2ª Pedro 2:1, 2, segundo a Bíblia, os falsos profetas seriam seguidos por "muitos". Assim, o crescimento diário desejável diz respeito à qualidade, não à quantidade (2ª Pedro 3:18). Além do mais, se é esse o critério, então a ICI foi desclassificada, pois, como dissemos anteriormente, citando as palavras de John Porter (um dos líderes da ICI), dos 800 membros conquistas em 1997, perderam 500. Vale a pena ler as cartas destinas às sete igrejas relatadas no Apocalipse, que retratam a fragilidade da parte humana da Igreja de Cristo (capítulos 2 e 3). Apesar de todos os problemas, de toda a mesquinhez espiritual, da falta de amor, da falta de firmeza doutrinária que levava a igreja em Pérgamo a permitir que os nicolaítas tivessem livre acesso às suas dependências, ainda assim, diz a Bíblia, que Jesus estava "no meio dos candeeiros" ou das "igrejas" (Apocalipse 1:12, 13 e 20). Outro ponto igualmente importante é o fato de a ICI afirmar que no Cristianismo atual muitos não têm vida cristã. Contudo, é bom lembrar que a atitude de rebeldia ou de desobediência de alguns cristãos não invalida o Cristianismo. Por outro lado, o fato de muitas pessoas possuírem um padrão elevadíssimo de moral, não determina que seu sistema religioso seja o correto. Por exemplo: as Testemunhas de Jeová têm um alto padrão de moral cristã. Procuram viver de acordo com a moral e ética bíblicas. Condenam o sexo antes do casamento, o adultério, o homossexualismo, o roubo, a mentira etc. Nem por isso se pode dizer que a sua religião é a única verdadeira. Contudo, viver estes comportamentos é obrigação de todos nós. Cumpri-los ou não cumpri-los não fará de minha igreja falsa ou verdadeira. E mais: a vida de alguns cristãos não é nem de longe recomendável; contudo, aquilo que ele diz ou prega pode estar de acordo com a palavra de Deus, mesmo que ele não a cumpra (Leia Mateus 23:1-3). Assim, os critérios para se determinar se uma igreja é verdadeira ou falsa vai muito além disso. É claro que a vida cristã é importante. Importantíssima! Porém, ser fiel à sã doutrina, também é. Que adianta viver como cristão, e ensinar doutrinas falsas acerca da Igreja, pondo em xeque a credibilidade de seu construtor? 4.6. A verdadeira Igreja Diante de tudo o que foi colocado, surge a pergunta inevitável: qual das igrejas existentes hoje é a verdadeira Igreja de Cristo? Levando em conta que a ekklesia é de Cristo, e que ela existe desde a sua fundação, afirmamos que a Igreja Verdadeira é o conjunto de todos os cristãos, em todos os tempos, os "filhos do Reino", que estão espalhados no mundo, por todas as denominações que abraçam a Jesus Cristo e sua mensagem, que pregam-no como o único Dono, Senhor, Salvador e Mestre (Judas 4; Tito 2:13). Assim, os cristãos são identificados por sua relação com Cristo. Espera-se que haja entre esses cristãos amor, cooperação, disposição para o serviço a Deus etc. Mas não se pode pedir uniformidade, como se todos devessem pensar em todos os aspectos de maneira igual. Jesus nunca fundou uma "Igreja McDonalds", isto é, igual em todas as partes do mundo. Na Igreja Primitiva nem todos estavam de acordo em relação a algumas questões. Para alguns o vegetarianismo devia ser o ideal; para outros, não (Romanos 14); alguns comiam carne sacrificada aos ídolos, outros achavam isso um absurdo (1ª Coríntios 8). Embora o apóstolo Paulo tivesse opinião formada sobre os assuntos em questão, nunca quis que todos pensassem como ele; antes, pediu que cada um respeitasse o ponto de vista uns dos outros. Quando pediu aos coríntios (1ª Coríntios 1:10) que não houvesse divisões entre eles, mas que fossem unidos num só pensamento e num só propósito, tencionava acabar com as divisões do tipo: "Eu sou de Paulo", "Eu sou de Pedro" etc. Estas brigas faziam com que perdessem de vista o fato de que todos pertencem a Cristo, pois não foi Paulo nem Pedro que morreram crucificados por eles, mas o próprio Jesus Cristo. Sendo assim, a unidade deve girar em torno de Cristo, e não na quantidade de água para se ministrar o batismo; não na forma de governo, se congregacional ou episcopal, mas no fato de que Cristo é o nosso Rei e Senhor, sendo seu domínio, o teocrático, o que de fato deve prevalecer. 5. Discipulado A Igreja de Cristo Internacional ensina que, assim como Jesus "controlava" a vida dos apóstolos em todos os aspectos, da mesma forma deve ocorrer com alguém que se torna membro da ICI. O novo adepto ficará aos cuidados de um discipulador, a quem deverá prestar contas de tudo o que fizer ou desejar fazer; deverá até mesmo confessar seus pecados diariamente, baseando-se em Tiago 5:16, que diz: "Confessem os seus pecados uns aos outros". Uma vez discípulo, discípulo para sempre. É Deus no céu e o discipulador na terra. O discípulo deve obedecer em tudo: deve estar disposto a ir a qualquer lugar, deixando qualquer coisa, incluindo emprego, familiares, faculdade, enfim, tudo o que o discipulador determinar. Deve prestar contas de seu dízimo, de suas atividades de proselitismo: "Quantos você convidou? Por que não convidou? Quando vai convidar? Você deve fazer isso..." etc. Enfim, adeus, liberdade! Esse proceder causou muita polêmica no início do movimento. Em 1992 Kip McKean reconheceu que havia exagerado na sua visão do discipulado. Ele declarou: Estava errado em alguns dos meus pensamentos sobre a autoridade bíblica. Eu achava que os líderes poderiam chamar as pessoas para lhes obedecerem e seguirem-nos em todas as áreas. Isto estava incorreto. Sinto-me muito mal pelas pessoas que foram prejudicadas por esse erro. O reconhecimento da parte de McKean de que prejudicou muita gente poderia ser uma atitude elogiável, caso tal prática tivesse sido eliminada da ICI. Todavia, isso não ocorreu. Portanto, não se engane com a aparente retratação de McKean, pois essa dependência do discipulando em relação ao discipulador que deve acompanhá-lo em todas as áreas de sua vida ainda existe e continua a prejudicar psicologicamente as pessoas na Igreja de Cristo Internacional. 5.1. A Bíblia e o verdadeiro discipulado Para início de conversa, convém lembrar que em nenhuma parte do Novo Testamento encontra-se o tipo de discipulado exposto pela Igreja Internacional de Cristo. Segundo a Sagrada Escritura, o cristão é um discípulo (mathetes), sim, mas exclusivamente de Cristo. A Bíblia apresenta diversas relações que existem entre Cristo e seus seguidores: · Ele é o Senhor e nós somos seus servos (Mateus 10:24,25) · Ele é o Pastor e nós suas ovelhas (João 10:14-16) · Ele é a Videira e nós somos os galhos (João 15:5) · Ele é a Cabeça e nós somos o seu corpo (Efésios 5:23; 1ª Coríntios 12:12-17) · Ele é o Mestre (didaskalos) e nós somos seus discípulos (Mateus 8:23; 9:10; 10:43; 15:32; 16:13, 21, 24; 19:23; 24:1). Assim, a relação sempre é a de Mestre e discípulo, nunca de discipulador com discípulo (Mateus 9:11; 10:24). Aliás, a palavra "discípulo" aparece cerca de 300 vezes na Bíblia (18 no singular e 295 no plural); contudo, nunca aparece o termo "discipulador". Vale a pena lembrar que há, em sentido estrito, somente um Mestre, com o qual partilhamos a relação de discípulo (Mateus 28:8), que é Jesus Cristo. Quantos aos "mestres" dos quais a Bíblia fala (Atos 13:1; Efésios 4:11), trata-se de homens qualificados para ensinar os discípulos de Cristo, a Igreja como um todo. Mas não está em jogo o que se pratica na Igreja de Cristo Internacional, pois todos devem ser "mestres" (discipuladores), uma vez que todos têm discípulos. E mais: segundo a Bíblia, o ensinar é um dom concedido a poucos, e não a todos (Romanos 12:4-8 compare com Atos 13;1; 1ª Coríntios 12:28 e Efésios 4:11). Além disso, de acordo com a Escritura, nenhum crente deve ter domínio sobre a fé do outro (2ª Coríntios 1:24 ; 1ª Pedro 3:5; Romanos 14), pois os discípulos são de Cristo (João 8:31). Este é o verdadeiro discipulado bíblico. O que for além disso é distorção do verdadeiro discipulado. 6. A Bíblia e a confissão de pecados Quanto à confissão de pecados, que o discípulo na Igreja de Cristo Internacional é obrigado a efetuar (baseando-se em Tiago 5;16, que diz "confessem os seus pecados uns aos outros"), convém lembrar que este é um ato recíproco, nunca unilateral. Nessa igreja o discipulador ouve o discípulo confessar seus pecados, mas não confessa os seus próprios ao discípulo, uma vez que o discipulador tem, também, seu próprio discipulador. Ora, o "confessem os seus pecados uns aos outros" indica reciprocidade, ou seja, é toma-lá-dá-cá, do mesmo modo que encontramos na Bíblia: · "Amai-vos uns aos outros" (João 13:34; 15:12, 17; Romanos 12:10; 1ª Tessalonicenses 4:9; 1ª Pedro 1:22; 1ª João 3:11, 23; 4:7, 12; 2ªJoão 1:5) · "Perdoai-vos uns aos outros" (Efésios 4:32; Colossenses 3:13) · "Suportai-vos uns aos outros" (Efésios 4:2; Colossenses 3:13) · "Aconselhai-vos uns aos outros" (Romanos 15:14; Colossenses 3:16) Além disso, encontramos na Bíblia que a confissão deve ser feita sobretudo a Deus, que, por meio de Jesus Cristo, nosso Advogado junto ao Pai, nos perdoará de nossos pecados (1ª João 1:7 a 2:2). 7. Outras informações Escrituras: Afirmam usar somente a Bíblia, sua única regra de fé e prática. Seus membros, todavia, não podem interpretá-la diferentemente de McKean (mesmo que esteja errado). Aliás, para eles, seu fundador nunca está equivocado. Suas palavras são inquestionáveis. É considerado o "ungido" de Deus. A Bíblia é usada, sem dúvida; contudo, é comum usar seus versículos fora de contexto para dar confiabilidade aos ensinamentos do movimento. Sua tradução predileta é a Bíblia na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil. Deus: Defendem o conceito bíblico sobre a doutrina da Trindade. Jesus: Crêem em sua humanidade e divindade, tal como ensinam as Escrituras cristãs; todavia, a ênfase não está em Jesus como objeto de nossa fé, mas sim, como um exemplo a ser seguido. Espírito Santo: Advogam o conceito bíblico, ou seja, o Espírito Santo é um ser pessoal, sendo em sua essência um só Deus com o Pai e o Filho. Salvação: Crêem que somente na ICI há verdadeiros discípulos de Cristo, os únicos que fazem parte do Reino de Deus na terra. Assim, sua salvação está ligada ao fato de fazerem parte do movimento, que exige obediência irrestrita. Qualquer dúvida ou questionamento deve ser evitado, pois conduzirá o indivíduo à perda de sua alma. Vida após a morte: Dividem a humanidade em dois grupos: os justos (membros da ICI) que vão para o céu e os ímpios que vão para o inferno. "Impios" designam todos os que não fazem parte da ICI, mesmo que afirmem serem cristãos ou discípulos de Cristo. Informações adicionais: Segundo McKean, não há pecado original. Ele diz que tal conceito foi inventado no séc. VII d.C. para apoiar o batismo infantil. Cada pessoa é responsável pela sua própria vida; portanto, a culpa pelo pecado de Adão não foi transmitida. A natureza humana é capaz, por si só, sem nenhum auxilio sobrenatural, de evitar o pecado e praticar a vontade de Deus. Assim, quando alguém entra na ICI pode arrepender-se de seus pecados e mudar seu padrão de vida sem a intervenção direta do Espírito Santo. (Esse ensino é conhecido na Teologia como pelagianismo.) Demonstrando a mudança, então é batizada para receber o Espírito Santo e ser salva. 8. Conclusão Não se pode negar a sinceridade dos adeptos da Igreja de Cristo Internacional. Seguem fielmente as ordenanças de sua organização religiosa; contudo, precisam aprender que somente a sinceridade não basta. Certa vez, Jesus disse: "Vem a hora em que qualquer que vos matar julgará prestar serviço a Deus" (João 16:2). Tais homens matadores de cristãos, em sua sinceridade, talvez achassem que estivessem servindo fielmente a Deus; todavia, agiam de modo contrário à Sua vontade. É como diz Provérbios 14;12: "Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte". Nenhuma organização religiosa, por melhor que pareça ser, nem nada do que venhamos a praticar, mesmo nos atendo aos usos e costumes impostos por certas igrejas ou religiões e por tradições puramente humanas, não nos darão em troca a vida eterna. Somos salvos pela fé no Filho de Deus, Jesus. Nossa plenitude está nele. (Efésios 2:8-10; Colossenses 1:13, 14; 2:10-13). Página 1 / Página 2 |
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